Sintam-se todos convidados!
Dia 5 de Maio, às 16h, na Praça Verde da Feira do Livro de Lisboa.
Apresentação de Margarida Cordo, uma grande amiga, psicóloga
Edição de Booksmile
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Voltas que a Vida Dá
Psicoterapia em
Discurso Direto
de Margarida Cordo
Tenho tido a sorte de contar com a leitura e apresentação de
Margarida Cordo de romances que escrevi em áreas do sofrimento emocional,
afectivo e mental. Conhecê-la foi, sem dúvida, um presente abençoado. Para além
disso, acompanho o trabalho no Pensamento Cruzado (TSF, com Vítor Cotovio e
Mésicles Helin), podendo, todos os dias, reflectir sobre a vida, as emoções e o
crescimento pessoal.
Tive a honra e o prazer de apresentar o mais recente livro
de Margarida Cordo, Voltas que a Vida Dá, na Livraria Ferin. Desde que comecei a lê-lo,
nasceu em mim a vontade de divulgá-lo para além do lançamento, pois sinto que
terá de chegar a quem dele precisa, a quem interessa, a quem tem curiosidade
sobre o que é a psicoterapia. É uma obra demasiado importante para ficar
escondida.
Que livro é este, então?
Se há livros que podem ir salvando o mundo de cada um, Voltas
que a Vida Dá é um deles. Numa escrita interessante, rica e
irrepreensivelmente estruturada, vamos percorrendo sessões de psicoterapia. São
muitos e variados os assuntos que desfilam capítulo a capítulo: o tempo, o
suicídio, honestidade e coragem, o envelhecimento, os filhos, e muitos mais,
susceptíveis de fazer vibrar, no seu interior, cada um dos leitores. Em todos
os relatos, a voz da terapeuta vai levando o paciente de encontro às
verdadeiras questões, as que podem provocar a mudança.
Paralelamente, lendo estes diálogos, cada um de nós encontra
pequenas partes de si mesmo, sendo igualmente levado a pensar e a crescer, o
que é admirável. Contribui para a consciencialização destes pedaços de nós a
reflexão que Margarida Cordo inclui a fechar cada assunto, incitando o leitor a
ir ainda mais longe.
Numa secção final, aparecem cartas de pacientes que, desta
forma, puderam falar com aqueles que viram partir ou sair das suas vidas,
encontrando na escrita de uma missiva o caminho para a sua paz interior.
É interessante saber que, para cada um dos temas abordados,
foram compiladas e misturadas histórias de várias pessoas diferentes. Segundo a
autora, “a leitura deste livro corresponde a um desafio empático de,
«colocando-me na pele de alguém que não sou eu», aprender com a vida dele/a”. O
desafio é lançado a cada linha, e o leitor não tem como fugir – através de cada
caso exposto, aprende muito sobre si mesmo e sobre o mundo dos outros, algo tão
esquecido nos dias apressados em que vivemos. Também é de realçar o papel da
espiritualidade na vivência do mundo, tratada neste livro com profundo respeito,
confiança e esperança.
A dado momento, aparece este raciocínio:
«Nada está feito, mas faz-se; nada está acabado, mas
continua-se; nada está consumado, mas investe-se. (…) Trabalho a debater
existências. (…) Às vezes sou feliz. Outras tantas invento a felicidade que,
por profissão e convicção, empresto
aos que tenho diante de mim.»
É assim esta psicoterapeuta, Margarida Cordo. Capaz de levar
os que com ela se cruzam a um novo patamar de consciência, mudança, paz,
serenidade perante as adversidades.
«Os meus pacientes são um enorme motivo de gratidão por
quanto me têm alertado e por me darem a oportunidade de descobrir uma missão
essencial: a de lhes atenuar o sofrimento, ajudando-os a valorizar a vida como
um dom, ímpar e irrepetível e/ou a crescerem como pessoas implantadas numa
sociedade e numa família. Sou, indubitavelmente, mais completa porque também
eles existem na minha vida ou passam por ela de um modo único.»
Também os leitores deste livro se sentirão mais completos ao
lê-lo. Obrigada, Margarida, por este seu livro.
(ouvir aqui o Pensamento Cruzado sobre o livro)
25 de Março, 18h30, Voltas que a Vida Dá
Na terça-feira, dia 25 de Março, às 18h30, na Livraria Ferrin, Lisboa,
terei o enorme prazer de apresentar o livro
Voltas que a Vida Dá - Psicoterapia em Discurso Direto
de Margarida Cordo
Este é um livro de pensamentos, afectos, soluções e recuos, um livro de uma grande intensidade e beleza e que deixa, quem o lê, mais consciente de si e dos outros. Um livro que promete dar a volta à nossa vida ao lê-lo, não o percam. Um livro onde ouvimos falar pessoas como todos nós.
Conhecemo-nos quando publiquei o livro De Nome, Esperança, e a amizade será para sempre.
Já estivemos juntas a falar deste romance, e depois Margarida Cordo teve a amabilidade de apresentar o romance Deixa-me Entrar na Tua Vida.
Imagens do lançamento
Deixa-me entrar na tua vida
Clube do Autor
Aqui ficam as imagens e a gravação das apresentações:
Margarida Cordo e Margarida Fonseca Santos
Se preferir ler o que foi dito, pode espreitar aqui.
Clube do Autor
Margarida Cordo e Margarida Fonseca Santos
Se preferir ler o que foi dito, pode espreitar aqui.
Transcrições do que foi dito
Lançamento de "Deixa-me Entrar na tua Vida"
Apresentação da editora, Teresa Matos (Clube do Autor)
Deixa-me entrar na tua vida é um
livro que fala da vida, e dos sentimentos e das emoções que a atravessam. Nem
sempre luminosos, é certo, mas são aqueles que marcam de facto a nossa
trajectória: a paixão e o amor, a saudade e a convivência familiar, a angústia e
o desespero, a dependência e a degradação…
A Margarida crivou de vida as
vidas da Alda, da Luísa e do Duarte e não conseguimos deixar de sentir as suas
dores e alegrias, irritar-nos com as suas acções e silêncios, sinal de uma
escrita rica e absorvente. Seguimos a sua história tomando partido e
incentivando silenciosamente as personagens. A Margarida conseguiu criar um
quadro vivo e muito real que mexe com as nossas emoções.
Entre outras inquietações, a
leitura deste livro leva-nos à pergunta: Até que ponto se pode ajudar alguém? A
resposta não é fácil. Aliás, através desta história percebemos que há várias
formas de lidar com a vida, os seus desgostos e os desafios. E que, por mais
que se deseje ajudar alguém, não nos podemos esquecer de duas coisas importantes:
não podemos ajudar alguém que não
deseje verdadeiramente ser ajudado
nem devemos ajudar alguém sem
olhar primeiro para a nossa própria realidade.
Deixa-me entrar na tua vida é um
convite para entrar na vida na Alda, da Luísa e do Duarte, um convite que os
três personagens aceitam e rejeitam entre eles e também um convite para nós
próprios reflectirmos sobre a vida.
Apresentação do
livro, por Margarida Cordo
A Margarida diz que gosta de contar os silêncios de todos
nós. O que eu acho que a Margarida faz é pintar os silêncios com uma caneta, que
a Margarida tem um pincel na ponta da caneta – é isso que lhe dá tanta vida. E
quando falo deste livro, falo também dos outros, nomeadamente do livro “De
Nome, Esperança” e de “O nº11”.
Como entendi eu este livro?
A parte mais genial deste livro, “Deixa-me Entrar na tua
Vida”, é que ele contado por três pessoas ao mesmo tempo. São diálogos
interiores de três pessoas, que não só contam o que estão a pensar e a sentir,
como depois reproduzem diálogos que tiveram com outros enquanto estão a pensar.
E há algumas partes com dois diálogos interiores ao mesmo tempo.
Já tive oportunidade de dizer isto à Margarida – este livro
é muito mais do que um livro sobre alguém que tem um problema de alcoolismo.
Deixem-me fazer um parêntesis – eu sempre entendi que os
programas de 12 passos como programas de vida e não como apenas programas de
recuperação de pessoas com dependências. Nesse sentido, gosto particularmente
da forma como a Margarida gere isto, porque a ajuda é para quem quer, não é
para quem precisa. É sobre sentimentos que todos podemos experimentar, um livro
de solidão, mas também é um livro de amor e de dedicação. E também é um livro
sobre algo de que todos devemos ter cuidado – é a questão de alguém que depende
que outro que dependa de si.
Estas três personagens suscitam reacções em nós, enquanto
fazemos a leitura – as personagens têm imensa intensidade. A Alda é muito mais
do que uma alcoólica – é uma mulher na solidão. O que dá muita força ao livro é
a raiva e a impotência da Luísa em não conseguir ajudá-la a querer recuperar.
Mas a relação da Alda com o álcool é a de quem quer morrer – o não querer
ajuda, o ser capaz de destruir a sua própria identidade, e atentar contra a sua
própria dignidade a partir do momento em que é completamente impotente em
relação ao álcool. É uma mulher real – tem um problema de solidão que é
transversal à sua vida e serve-se do álcool para fazer uma fuga para a frente.
Dizer isto não é dizer que este alcoolismo, ou qualquer outro, tem uma causa – não
há causas para estas coisas, há factores que podem contribuir mais ou menos
para elas. Pessoas com histórias muito semelhantes podem conduzi-las a fins
muito diferentes.
Queria dizer-vos que vale a pena ler, vale a pena deixar-se
sentir, e sobretudo vale a pena perceber que a Margarida é alguém que sabe
pintar a vida. Só por isso, qualquer livro que lance é para ser lido, pois às
vezes andamos a fugir da vida real. A vida também é isto. E se nós soubermos
ler estas coisas com a proximidade suficiente para termos capacidade de
entender e compreender quem está à nossa volta, e com a distância suficiente
para não submergir e não nos deprimirmos com isso, estamos a fazer um bom uso
da própria leitura.
Cada livro seu é um momento de gratidão para todos nós.
Intervenção de
Margarida Fonseca Santos
Eu acredito que é importante partilhar o conhecimento do
sofrimento, das portas que se abrem e das portas que se fecham. Às vezes somos
nós que fechamos as portas, outras vezes é a vida que as fecha e nós não
conseguimos voltar a abri-las.
Eu escrevo sobre coisas que conheço, que de alguma forma
estão dentro do meu mundo. Eu queria contar a história de uma mulher que
desiste, que se serve do álcool para desistir; e a de alguém que está ao lado a
tentar resgatá-la. Na década de oitenta este era um papel muito solitário,
agora já não é tanto – queria contar a história de alguém que sofre com, numa relação de
co-dependência, alguém para quem é tão evidente onde é a porta e que esbarra
com a outra pessoa que não consegue, nem quer, passar por essa porta. Isto de
ajudar tem muito que se lhe diga, como referiu a Margarida Cordo – só pode ser
ajudado quem quer ser ajudado, é esta a realidade. É disto que fala o livro.
Posso explicar-vos um pouco como foi construída a história.
No início, agarrei nos 12 passos e reescrevi-os (à minha maneira). Pensei
escrever esses 12 passos, dados pela Alda e pela Luísa, em sentido contrário –
uma a recuperar, a outra a perder a sua liberdade e caindo na frustração.
Contudo, rapidamente me apercebi de que isso também não seria real. A partir de
certo momento, estes dois percursos inversos deveriam chocar – quem estava a
caminhar para se recuperar volta para trás, quem está a perder a sua própria
liberdade tenta recuperá-la.
A partir do romance “De Nome, Esperança”, como a Margarida
Cordo disse, foquei-me na escrita na 1ª pessoa. Acho que não há nada melhor do
que a narração na 1ª pessoa para pôr as pessoas a falar do seu próprio
sofrimento, do amor, dos sonhos, das expectativas, dos avanços e recuos na
vida.
As três personagens têm registos muito diferentes. Isto de
escrever tem de facto muito mais suor do que inspiração. O momento de rever as
partes de cada uma delas foi feito a escopro e martelo, para ter a certeza de
que cada uma é coerente, tanto na forma da escrita como na forma de pensar.
Estamos sempre a falar do mesmo assunto, mas estamos a vê-lo de três formas
diferentes. E, como a Margarida Cordo disse, este assunto é muito maior do que
o alcoolismo.
Foi um livro que me deu muito prazer escrever, mas também
muito sofrimento. Escrever “dentro” de cada uma das personagens implica também
sentir com elas. Não sei se é uma vantagem ou uma desvantagem, esta minha tendência
de ver/escrever como as pessoas estão a sentir. Mas é algo que me fascina – observar
como as pessoas se comportam no dia-a-dia em relação às coisas que lhes acontecem,
em relação aos outros. Este caminho usado ao escrever “Deixa-me Entrar na Tua
Vida” é exactamente isso: visitar o lado de dentro das pessoas e encontrar a
saudade, a esperança, o desistir, o pensar “quando é que isto acaba?”. Os avanços
e recuos de pessoas como todos nós.
Espero que gostem…!
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