Vou estar na Feira do Livro de Lisboa nos dias...


















Dia 31 de Maio - 15h - Leya
Dia 31 de Maio - 16h30 - Clube do Autor
Dia 8 de Junho - 15h - Clube do Autor
Dia 8 de Junho - 17h - Praça Amarela, Presença - Debate Petzet

De Zero a Dez na SIC e na TVI

Aqui vos deixo as duas entrevistas:

Segunda, A Tarde É Sua, com Fátima Lopes
uma entrevista fantástica.
http://www.tvi.iol.pt/programa/a-tarde-e-sua/4140/videos/133829/video/14144979/1




Sábado, Jornal da noite às 20h, reportagem de Raquel Marinho
http://sicnoticias.sapo.pt/cultura/2014-05-24-margarida-fonseca-santos-lancou-livro-sobre-o-dia-a-dia-de-quem-vive-com-dor-cronica

Patrícia Reis apresentou assim o livro - obrigada, amiga!

Patrícia Reis – apresentação do livro "De Zero a Dez"
Apresentar este livro da Margarida não é tarefa fácil e, confesso, fiz três rascunhos antes de chegar a este que, espero, seja pouco lamechas.
Não, o livro não é lamechas e a Margarida tão pouco. Eu sou um bocadinho.
Não vos contarei a história de Leonor e já sabem que o livro aborda as questões de vivência sistemática com uma doença crónica que afecta – e muito – a qualidade de vida dos doentes: a artrite reumatóide.
A Leonor é a personagem principal do livro e é quem sofre desta maleita. E sofre das outras maleitas que os doentes crónicos têm de acarretar uma vida inteira.
O que são? Não são apenas os comprimidos, comparticipados ou nem por isso...
Esta semana fomos informados que os doentes com lúpus – são 15 mil em Portugal – deixam de ter os medicamentos comparticipados. Não percebi se 15 mil é pouco ou muito para o Governo. Seja.
As doenças crónicas têm estes custos que, muitas vezes, os doentes fingem que podem meter debaixo do tapete. Ou seja: reduzir doses, experimentar medicina alternativa sem ter feito o desmame dos químicos com pés e cabeça e, cereja no topo do bolo, os doentes crónicos, por serem obrigados a uma certa teimosia caso queiram passar o estatuto de vítimas da traição do corpo, esforçam-se mais do que devem, pela simples razão de pensarem, por horas, que pode ser que o corpo aguenta.
O corpo não aguenta traições desta dimensão e, sempre que decide fazer um motim, pois recusa-se a funcionar.
Se a doença não é visível ou muito evidente – não se está numa cadeira de rodas, não se passa o dia a tomar pastilhas e a apresentar um rol de queixas sobre “ai que desgraça que é a minha vida” – então é a sociedade que surge como inimigo.
Esta realidade é tratada por Margarida Fonseca Santos com cuidado, sem exagero, com a perícia de quem domina bem o que são as relações humanas, em especial num mercado de trabalho onde todos somos obrigados a ser multitarefeiros, rápidos, vertiginosamente rápidos.
Nem sempre os ossos deixam, nem sempre a cabeça consegue.
Portanto, dirão: ah, é um livro sobre a doença.
Não.
Mesmo correndo o risco de ter de fazer terrorismo literário e de recolocar os livros da Margarida na zona da ficção nacional em vez de estarem na prateleira da saúde (e aqui, faço um aparte vicentino: abençoados livreiros que colocam os livros sem pensar muito no assunto, afinal publicam-se 50 livros por dia num país em que se diz que a malta não lê e não compra, portanto que importa que a ficção vá parar à saúde ou à gastronomia?)
Bom, dizia eu, correndo esse risco e até de ver a autora olhar para mim com ar de espanto, tipo: “eu deveria ter convidado outra pessoa para me apresentar o livro, afinal levei tanto tempo a ter a coragem para esta exposição”, aqui vai a minha ideia sobre este livro: 
Este, tão bem escrito, tão fluído e com boas caracterizações de personagens, este livro é sobre o que temos de melhor. A melhor expressão de amor: a amizade.
Não apenas a amizade entre Leonor e a Maria, mas também a de outras personagens que vão surgindo, o médico, a enfermeira, um namorado que não sendo namorado quer muito ser namorado e por aí fora.
Como dito, não vou contar a história, façam o favor de comprar e ler e oferecer. Vem aí o Natal, não tarda nada, que isto é tudo num instante.
Este livro da Margarida é um exercício de alto risco, de exposição. De altíssimo risco.  Para uma mulher é sempre mais complicado escrever sobre determinados assuntos.
Digo muitas vezes que se um homem escrever uma história de amor, pois é sobre a condição humana, se for uma mulher? Bom, é mais um livro.
Se o Lobo Antunes escrever sobre o cancro, é um grande escritor em sofrimento, capaz de uma exposição comovente. Uma mulher? Bom, as mulheres nasceram para sofrer e, dizem alguns, não é por acaso que a maioria das doenças auto imunes afectam em mais de 90 por cento as mulheres e não os homens. É a nossa cabecinha. Pois.
Seja como for, a literatura feminina não é de agora, temos apenas a felicidade de não ter de escrever com tinta mágica, feita com sumo de limão, para explicar como olhamos o mundo.
Um livro é sempre isso, uma forma de ver o mundo, uma tentativa de resposta a uma pergunta ou, para citar Agustina Bessa-Luís, fica sempre bem, pois um livro escreve-se para incomodar. E este incomoda.
De zero a dez incomoda doze, se a alma for sensível. Por ser uma história que é feita de afectos, de avanços e recuos, mergulhada no nosso tempo, é sobre nós, sobre uma doença que pode ser minha ou vossa e ainda sobre as teias de mãos amigas que nos sustentam. Que fazem da vida isso mesmo: vida digna de se viver.
Uma pessoa com uma doença, infelizmente, pensa muitas vezes que não merece ser feliz.
Que não merece rir.
Divertir-se. Beber um copo e abanar o corpo.
Pensa semelhante disparate por ser disparatada? Não.
Pensa por saber que há quem possa fazer tudo isto e mais – até ter uma vida sexual ardente contra a parede, como nos filmes, aquelas coisas que nunca nos acontecem, mas ficam bem na tela da sétima arte.
O sentimento é: não posso impor aos outros as minhas limitações.
O livro da Margarida conclui: há pessoas que respeitam as limitações, as maleitas, as receitas, os exames e, apesar disso, não encaram uma doente, neste caso, a Leonor, como alguém descartável.
E não abdicam de ajudar e de rir.
Rir é uma grande bênção. É pena que não seja uma doença crónica.

Livro - De zero a dez

De zero a dez
A vida no silêncio da dor

Sinopse:
Leonor é uma mulher a braços com uma doença crónica, sem saber como conviver com o cansaço da dor e da dor do cansaço. Vê a sua vida espartilhada por condicionantes que influenciam o dia-a-dia, mas também o futuro.
É através da ajuda de amigos, de uma relação médico/doente equilibrada, que reencontra uma vida a que pode chamar sua, onde a felicidade e o empenho no trabalho passam a ser uma realidade concreta, possível e enriquecedora, uma vida onde a dor deixa de ser o centro.

Este é um romance sobre a dor crónica. É igualmente um livro terapêutico, onde os caminhos e as estratégias para lidar com a doença se revelam a cada passo. É, sobretudo, um romance com esperança por dentro.


Nota de Autor:
Há circunstâncias que nos obrigam a parar e mudar. Foi isso que me aconteceu quando percebi que teria de adaptar a minha vida às possibilidades reais deixadas em aberto por uma patologia músculo-esquelética. Não foi fácil, nunca é. Sendo a palavra a minha forma de comunicar, a ideia foi-se instalando em mim: porque não escrever sobre quem coabita todos os dias com a dor crónica, o cansaço e as limitações?Foi assim que surgiu este livro. É o somatório de experiências pessoais, minhas e das pessoas que aceitaram partilhar comigo o seu viver diário, num entrançado de crises e soluções, sonhos e frustrações, medos e esperanças. Tinha como objectivo dar conforto a quem é doente, mas também ajudar quem com ele convive a entender as limitações e as forças, seja numa vida em comum, no trabalho ou na amizade. Espero ter conseguido atingi-lo. A mim, organizou-me por dentro e deixou-me em paz com a doença.
Margarida Fonseca Santos

Veja/oiça as entrevistas:
Na Rádio Sim: 
1 - http://youtu.be/-BYBpu7PbLI com Marisa Gonçalves, reportagem do lançamento

2 - http://radiosim.sapo.pt/Detalhe.aspx?did=37989&fid=1317&FolderID=1317 com Carlos Coutinho, na Praça Central

A Tarde É Sua, com Fátima Lopes

Escrevi uma história para crianças – como posso melhorá-la?

Escrevi uma história para crianças – como posso melhorá-la?,
por Margarida Fonseca Santos

Objetivos:
Escreve-se muito para crianças, mas será esta escrita apurada, desafiante, divertida e profunda? Os perigos espreitam, com moralidades impostas, textos simplistas em vez de claros e intensos, com muletas em excesso, pois acreditamos, erradamente, que funcionam. Neste curso de 6 horas, iremos trabalhar sobre textos já construídos e perceber como podemos melhorá-los, subverter-lhes a previsibilidade, torná-los fonte de prazer, pensamento e crescimento, sem impor nada ao leitor.

Público-alvo
Autores de textos para crianças.
  
Programa:
1. A moralidade – o maior perigo
2. Personagens, espaço e tempo – a ação como ponto de partida
3. Diferença entre simplicidade e texto simplista
4. A metáfora na escrita para crianças
5. Narradores da vida real

Dados técnicos:
N.º de sessões: 2.
Datas: 13 e 15 de maio de 2014.
Horário: 18.30 – 21.30.
Total de horas: 6.

Para se inscrever, por favor envie CV (com a referência: EHC I) para: formacao@booktailors.com.