Voltas que a Vida Dá

Psicoterapia em Discurso Direto
de Margarida Cordo

Tenho tido a sorte de contar com a leitura e apresentação de Margarida Cordo de romances que escrevi em áreas do sofrimento emocional, afectivo e mental. Conhecê-la foi, sem dúvida, um presente abençoado. Para além disso, acompanho o trabalho no Pensamento Cruzado (TSF, com Vítor Cotovio e Mésicles Helin), podendo, todos os dias, reflectir sobre a vida, as emoções e o crescimento pessoal.
Tive a honra e o prazer de apresentar o mais recente livro de Margarida Cordo, Voltas que a Vida Dá, na Livraria Ferin. Desde que comecei a lê-lo, nasceu em mim a vontade de divulgá-lo para além do lançamento, pois sinto que terá de chegar a quem dele precisa, a quem interessa, a quem tem curiosidade sobre o que é a psicoterapia. É uma obra demasiado importante para ficar escondida.
Que livro é este, então?
Se há livros que podem ir salvando o mundo de cada um, Voltas que a Vida Dá é um deles. Numa escrita interessante, rica e irrepreensivelmente estruturada, vamos percorrendo sessões de psicoterapia. São muitos e variados os assuntos que desfilam capítulo a capítulo: o tempo, o suicídio, honestidade e coragem, o envelhecimento, os filhos, e muitos mais, susceptíveis de fazer vibrar, no seu interior, cada um dos leitores. Em todos os relatos, a voz da terapeuta vai levando o paciente de encontro às verdadeiras questões, as que podem provocar a mudança.
Paralelamente, lendo estes diálogos, cada um de nós encontra pequenas partes de si mesmo, sendo igualmente levado a pensar e a crescer, o que é admirável. Contribui para a consciencialização destes pedaços de nós a reflexão que Margarida Cordo inclui a fechar cada assunto, incitando o leitor a ir ainda mais longe.
Numa secção final, aparecem cartas de pacientes que, desta forma, puderam falar com aqueles que viram partir ou sair das suas vidas, encontrando na escrita de uma missiva o caminho para a sua paz interior.
É interessante saber que, para cada um dos temas abordados, foram compiladas e misturadas histórias de várias pessoas diferentes. Segundo a autora, “a leitura deste livro corresponde a um desafio empático de, «colocando-me na pele de alguém que não sou eu», aprender com a vida dele/a”. O desafio é lançado a cada linha, e o leitor não tem como fugir – através de cada caso exposto, aprende muito sobre si mesmo e sobre o mundo dos outros, algo tão esquecido nos dias apressados em que vivemos. Também é de realçar o papel da espiritualidade na vivência do mundo, tratada neste livro com profundo respeito, confiança e esperança.
A dado momento, aparece este raciocínio:
«Nada está feito, mas faz-se; nada está acabado, mas continua-se; nada está consumado, mas investe-se. (…) Trabalho a debater existências. (…) Às vezes sou feliz. Outras tantas invento a felicidade que, por profissão e convicção, empresto aos que tenho diante de mim.»
É assim esta psicoterapeuta, Margarida Cordo. Capaz de levar os que com ela se cruzam a um novo patamar de consciência, mudança, paz, serenidade perante as adversidades.
«Os meus pacientes são um enorme motivo de gratidão por quanto me têm alertado e por me darem a oportunidade de descobrir uma missão essencial: a de lhes atenuar o sofrimento, ajudando-os a valorizar a vida como um dom, ímpar e irrepetível e/ou a crescerem como pessoas implantadas numa sociedade e numa família. Sou, indubitavelmente, mais completa porque também eles existem na minha vida ou passam por ela de um modo único.»

Também os leitores deste livro se sentirão mais completos ao lê-lo. Obrigada, Margarida, por este seu livro.

(ouvir aqui o Pensamento Cruzado sobre o livro)

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