Revista Pais e Filhos


É verdade - terei a partir deste número, em colaboração com a ilustradora Francisca Torres, uma rubrica na revista Pais e Filhos


histórias em 77 palavras - aceita o desafio?


(envie para 77palavras (arroba) gmail.com )

De novo no programa da RTP N


É verdade... De novo no Ler+ Ler Melhor! E desta vez com a Maria João Lopo de Carvalho. O tema? Claro!!! Os 7 irmãos... Ora vejam.


Declaração do Dia Mundial do teatro

este ano, a SPA pediu-me que a escrevesse...
ficou assim:

Mensagem Dia Mundial do Teatro, 27 de Março de 2011
Dizer onde começa e acaba o fascínio do teatro é, para mim, dizer onde começa e acaba o fascínio pela vida, pela interacção entre pessoas, culturas, hábitos adquiridos ou impostos, liberdades conquistadas ou suprimidas. Dizer qual é o papel do teatro nos dias de hoje, como sempre, é realçar o papel de tornar visível o que a mente pode não conseguir ou não se atrever a ver, trazer à emoção os sorrisos adivinhados e sentidos, trazer à luz da sociedade as dores infligidas e sofridas, mesmo até as que são aceites e as que não nos atrevemos a rejeitar. O teatro é, e sempre será, o palco onde a vida se pode mostrar e onde se constrói vida para além da que vivemos, levando-nos a sonhar, equacionar e arriscar. Para mim, é isto o teatro.
Quis o meu percurso pela dramaturgia que me cruzasse com assuntos ligados ao conhecimento e também à memória do nosso país. Aceitei o desafio de trazer para o palco datas e personalidades deste lugar a que chamo o meu país. Assim, cruzei-me com Pedro Álvares Cabral e Pêro Vaz de Caminha, com os destemidos aviadores, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, escrevi sobre a vida deste povo que se espalhou pelo mundo para que não seja esquecida. Mas também me cruzei com a história mais recente, escrevendo sobre a crise académica de 1962, sobre D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, e sobre a filha do último Director da PIDE, Annie Silva Pais. Nestas três últimas peças, um denominador comum, que o 25 de Abril veio derrubar – a ditadura que reinou em Portugal.
A Revolução dos Cravos apanhou-me no liceu, mas já antes me vira confrontada com familiares perseguidos e presos, aprendendo como a tortura e a asfixia do pensamento imperaram durante quarenta e oito longos anos. Foi uma revolução branda, embora incontornável, impondo a liberdade através de caminhos que nunca antes havíamos experimentado. Para trás ficaram anos onde a brandura não teve lugar na forma como se trataram os opositores ao regime.
Abracei estes desafios porque acredito que o teatro tem a função de relembrar o que aconteceu, para que o adormecimento das recordações não ganhe espaço no nosso viver. Servi-me da ficção para contar as verdades, servi-me da verdade para ficcionar as histórias em palco. Construí estes textos para que as gerações mais novas não esqueçam o papel da liberdade na vida que levam, mas sobretudo para homenagear todos aqueles que, levantando-se contra a ditadura, perderam a sua liberdade, a sua pátria e até a sua vida.
Acredito que, hoje e sempre, o papel do teatro é manter viva a memória do que fomos e somos, do que sofremos e ganhámos, do que podemos sonhar e construir porque houve quem lutasse por nós, anos a fio, porque conquistámos a liberdade de falar e crescer. No momento em que, como dramaturga, me vejo a caminho do banco dos réus por ter levado à cena o tema da opressão fascista, recuso-me a aceitar que alguma vez tenha de calar esta obrigação cívica. Continuarei, sempre, a trazer para o palco a coragem daqueles que lutaram pela nossa liberdade.
Margarida Fonseca Santos

Dia Mundial da Poesia

Fiquei a ouvir o coração à espera de um tu
que era a imagem de ti que eu queria que fosses.
Esperei pelo sossego para esconder o frio
que só tu podias aquecer e que demoravas a acender.
Vi-te chegar diferente com brilho no lugar da distância,
com calor no lugar do tempo,
comigo enlaçada por dentro.
Entraste nas minhas memórias
transformando o que era meu em teu,
o que era verdade em diferente.
Encheste os meus dias sem pedir nada
até pedires um fim,
um fim que eu sempre adivinhei que fosse.

in, De Nome, Esperança

De Nome, Esperança - um comentário

Recebi esta mensagem de uma amiga bibliotecária que leu De Nome, Esperança

De “Uma Pedra sobre o rio” para “De nome, Esperança”, é como passar do esboço do desenho (que já tem quase tudo, incluindo a harmonia) para o desenho final com o “encorpado” das sombras e a profundidade. Desculpa a comparação mas é a que me surge para dizer o que sinto.
A narrativa (final) da Esperança é de uma beleza tremenda.
Obrigada pelo destino do bibliotecário.
Obrigada pelo candeeiro e pela gota de água.
Obrigada pelo cão.
Obrigada pela arquitectura da narrativa.
Adorei a arquitectura. Os labirintos e os pátios que foram desenhados para dar ritmo ao leitor.
Obrigada pela beleza de tantas frases que assinalei a lápis fino para as copiar antes do livro avançar para outro leitor.
Por este prazer de ler e por poder replicar dentro de mim as histórias, acredita na gratidão desta humilde leitora tua.E
ntretanto, o teu livro está a passar de mão em mão, mas por mãos escolhidas. Só depois o lanço ao vento. Agora estou na fase de: será que o/a “fulano/a”vão sentir algo semelhante?